Bndes
À frente dos repasses de recursos públicos
Os investimentos privados sumiram do mapa e são
garantidos por fartos repasses de recursos públicos que têm na origem
operações mafiosas legalizadas
O Bndes (Banco Nacional de Desenvolvimento) é um dos principais instrumentos no repasse de recursos públicos para os capitalistas. Neste ano, deverá receber do Tesouro Nacional, pelo menos, R$ 190 bilhões. Somente no mês de setembro serão R$ 20 bilhões. A tendência tem sido ao aumento crescente devido a que as concessões federais de infraestrutura e energia tendem a aumentar ainda mais a captação de empréstimos. Somente no primeiro semestre deste ano, foram R$ 88,3 bilhões.
No ano passado, o Bndes tinha emprestado R$ 156 bilhões, o que representou um crescimento de 12% na comparação com o ano anterior. Neste ano, o crescimento será de pelo menos o dobro, 25%. O motivo: o investimento privado sumiu do mapa no Brasil, e, na realidade, no mundo. Os grandes capitalistas somente conseguem garantir os lucros por meio do parasitismo estatal e operações “fraudulentas”, a maior parte das quais legalizadas pelo corrupto sistema judiciário. Esses parasitas são os verdadeiros corruptos, ou seja, os corruptores, que se valem do controle dos aparatos do estado burguês para manter os privilégios.
Qual é a origem dos fartos recursos que o Bndes repassa para os capitalistas?
Os recursos do Bndes têm como origem os repasses feitos pelo BC (Banco Central) em operações de monetização da divida pública. O Tesouro Nacional emite títulos públicos podres, sem lastro produtivo, que são comprados por uma dúzia de grandes bancos, que obtêm altas taxas de lucros vendendo-os nos chamados mercados secundários (varejo). O dinheiro obtido pelo Tesouro, a partir dessas vendas, é transferido ao BC que, por sua vez, o transfere aos bancos públicos, principalmente ao Bndes.
O Bndes, por sua vez, empresta esses recursos aos grandes capitalistas a taxas de juros ultra-subsidiadas. Ao dinheiro que tem como origem essas taxas lhe é dado o nome de “lucro”. Em 2012, o governo registrou como “lucro” R$ 8,2 bilhões provenientes dessas operações semi-fraudulentas. A equipe econômica neoliberal do governo, liderada pelo ultra-neoliberal Guido Mantega, o ministro da Fazenda, acha que basta imprimir uns papelzinhos podres que a economia sairá da paralisia. Isso está muito longe da realidade. O que realmente acontece é o direcionamento dos recursos da sociedade para meia dúzia de parasitas. A economia capitalista chegou num ponto em que, praticamente, não consegue mais obter lucros da produção e, por esse motivo, se empantanou em cheio na especulação financeira.
O governo, para manter uma certa aparência de estabilidade, realiza manipulações contábeis em larguíssima escala. No ano passado, foram repassados como lucros antecipados, para que o governo pudesse fechar as contas, quase R$ 13 bilhões. O que de fato aconteceu foi que os supostos “lucros” foram inchados por meio de uma medida do CMN (Conselho Monetário Nacional), a Resolução 4.175, que permitiu ao Bndes não registrar uma parte das perdas de R$ 3,325 bilhões, causadas pela queda das ações da Petrobras, Eletrobras e Vale, onde o Bndes detém investimentos, além de descontos aplicados nos impostos.
Essas maracutaias jurídicas são consideradas legais. Sob essa base, têm sido promovidas as privatizações, ou seja, sem quase nenhum investimento privado. A direita e a esquerda pequeno-burguesa, esta encabeçada pelos ultra-cretinos do PSTU, ocultam a essência mafiosa do regime burguês e denunciam os ladrões de galinhas mensaleiros do PT como os paladinos da corrupção, apesar de serem acusados de terem recebidos quantias relativamente muito pequenas (na comparação com a roubalheira generalizada) e, mesmo assim, com a direita abertamente pró-imperialista atropelando o que resta do chamado estado de direito.
A fraude dos “investimentos” do Bndes
Os “investimentos” do Bndes nas empresas privadas têm como objetivo garantir os lucros dos capitalistas de maneira ultra-parasitária. Os exemplos são muito abundantes.
No balanço do ano passado, foram registrados R$ 3,32 bilhões como perdas relacionadas com investimentos fracassados. No caso da LBR-Lácteos, por exemplo, as perdas somaram R$ 865 milhões. Isto não é uma novidade. No caso escandaloso da quebra do Banco Panamericano, em 2010, as perdas da CEF (Caixa Econômica Federal), outro dos bancos públicos envolvidos nas mesmas operações parasitárias, foram de mais de R$ 4 bilhões, e tiveram como causa evitar as perdas dos grandes bancos que atuam no Brasil, pois estavam muito contaminados pelos títulos desse Banco.
Todas as obras do PAC (Programa Acelerado do Crescimento) têm como base os recursos do Bndes. O mesmo acontece com todas as “privatizações”, onde o Bndes também entra como acionista. As “privatizações” dos aeroportos, por exemplo, têm sido feitas no melhor estilo entreguista dos governos do Psdb. As concessões têm acontecido por aproximadamente 15% do valor e ainda, desse valor, o Bndes têm entrado com 80%. Negócio do século, e sem qualquer risco para os capitalistas, que ainda querem mais. A crise capitalista atingiu um nível tão catastrófico que a diferença entre a política econômica do governo do PT e da direita é que esta quer ainda mais, às custas do sangue das massas trabalhadoras. Os lucros continuam caindo e a economia se encontra, na prática, em recessão, sustentada integralmente pelo estado burguês semi-falido. O que a direita quer (e precisa!) é arrasar as organizações sindicais e sociais com o objetivo de impôr um arrocho salarial em larga escala, o que, para acontecer, na medida certa para os capitalistas, implica na implantação de um regime de terror a la Pinochet.
A fraude dos “investimentos” do Bndes no Grupo X de Eike Batista
Um dos casos recentes mais gritantes da corrupção legalizada foi o dos repasses de recursos ao Grupo X de Eike Batista, com a especulação financeira correndo solta, promovida pelos monopólios imperialistas, tais como o E.ON alemão, importantes fundos especulativos e grandes bancos.
Essas empresas têm sido criadas em cascata, uma dependente da outra, mesmo sem ainda terem saído do papel, com o objetivo de facilitar a tomada de empréstimos para especular nas bolsas e com outros mecanismos da especulação financeira. Quando uma delas começou a ser impactada em cheio pela crise, o efeito dominó não tardou em aparecer.
Desde 2005, o Bndes repassou ao Grupo X R$ 9,1 bilhões. O prejuízo do grupo em 2012 foi de R$ 2,5 bilhões, que agora está sendo coberto em boa parte com recursos públicos. Enquanto os especuladores têm fugido das empresas do Grupo X, com a exposição ao risco indo às nuvens, o Bndes aprovou um empréstimo subsidiado por mais R$ 935 milhões. A CEF e a Petrobras também participaram do resgate dos especuladores com fartos recursos.
O valor de mercado da OGX caiu 94% em três anos, de R$ 74 bilhões em 2010, para R$ 4 bilhões, tendo registrado um prejuízo de R$ 1,2 bilhão no ano passado. Dos 37 milhões de toneladas de minério de ferro esperados em 2011, apenas produziu para 7,4 milhões em 2012. A empresa de estaleiro OSX, que chegou a valer R$ 9 bilhões e hoje vale R$ 1 bilhão. Alguns projetos são de alto risco como o do Porto do Açu, que é em mar aberto e exige enormes investimentos em quebra-mar.
O Grupo contraiu dívidas em dólar, garantidas pelo estado (o que é a norma), e com as pressões aumentado, pois tem um cronograma muito pesado de investimentos. O endividamento triplicou em 2012.
Neste caos financeiro, além dos mais de R$ 10 bilhões já repassados pelo Bndes, o Banco detém 10,3% da MPX e 11,7% da CCX. O BndesPar tinha comprado 12% da LLX, que, posteriormente, vendeu com grande prejuízo.
FONTE:http://www.pco.org.br/economia
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