Greve contra leilão do pré-sal atinge 42 plataformas da Petrobras, diz sindicato
DENISE LUNA
DO RIO
DO RIO
Atualizado às 18h48.
A greve iniciada nesta quinta-feira (17) pelos petroleiros contra a realização do primeiro leilão atingiu 42 plataformas da Petrobras na bacia de Campos, segundo a FUP (Federação Única dos Petroleiros).
O coordenador da FUP (Federação Única dos Petroleiros), José Antonio de Moraes, informou que 15 dessas plataformas deixaram de produzir nesta manhã. Nas outras plataformas, a Petrobras consegui colocar equipes de contingência para manter a produção, afirmou o sindicalista.
Moraes afirma que outras 20 plataformas do Rio Grande do Norte aderiram ao movimento.
A Petrobras ainda não se pronunciou sobre o assunto.
"Nosso objetivo não é prejudicar a população, mas faremos greve por tempo indeterminado até que nossas reivindicações sejam atendidas", disse Moraes.
A categoria, que planeja fazer uma passeata no Rio nesta tarde, ocupou o prédio do Ministério de Minas e Energia, em Brasília. No Rio, o alvo é o prédio da ANP (Agência Nacional do Petróleo) --que está protegido durante toda essa semana por causa das invasões-- e da Petrobras, que desde o dia 24 de setembro convive com um acampamento de petroleiros e de entidades simpatizantes, como a Fist (Frente Internacionalista dos Sem Teto).
MOTIVOS
Além da suspensão do leilão, que não depende da empresa, mas de seu controlador, a União, os petroleiros querem aumento salarial de 11,6%, e o arquivamento do Projeto de Lei 4.330, conhecida como a lei da terceirização --o que também não depende da Petrobras.
As entidades querem o fim do leilão pois dizem haver risco à soberania do país e prejuízos à nação caso o campo de Libra seja "apropriado" por petrolíferas transnacionais.
De acordo com Moraes, foi entregue à Presidência da Câmara dos Deputados um abaixo-assinado com 280 assinaturas para que se coloque em regime de urgência a votação de um projeto que suspende o leilão. Ações na Justiça também estão sendo esperadas, o que será combatido pela AGU (Advocacia Geral da União) e pela ANP.
Para o secretário executivo para petróleo e gás do Ministério de Minas e Energia, Marco Antonio Almeida, a motivação dos petroleiros se confunde com o dissídio coletiva da Petrobras.
"Estamos em um momento de acordo coletivo, então não sei até que ponto Libra seria o motivo para essa greve", avaliou. A diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, evitou julgar o mérito dos protestos --disse apenas que a agência segue a lei do país.
A greve está sendo organizada pela FUP e pela FNP (Federação Nacional dos Petroleiros), que reúne sindicatos regionais.
A paralisação só deve afetar o consumidor caso a produção fique parada por mais de cinco dias.
PRÉ-SAL
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que mesmo com a greve dos Petroleiros não haverá adiamento do leilão de Libra, o primeiro do Pré-sal, marcado para segunda-feira. Ele se recusou a falar sobre aumento de combustíveis.
"O país entende os movimentos grevistas. Lamentavelmente, hoje fomos impedidos de trabalhar. Mas essas coisas são compreendidas", afirmou o ministro lembrando que protestos impediram a entrada dele no ministério hoje.
BRAÇOS CRUZADOS
Segundo a FUP, a paralisação começou às 20h de ontem em seis campos de produção terrestre da Bahia (Candeias, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passe, Socorro, Marapé e Dom João).
Os trabalhadores também cortaram a rendição do turno às 23h e às 23h30 nas refinarias de Duque de Caxias (Reduc, RJ), Manaus (Reman), Paulínia (Replan, SP) e Mauá (Recap, SP) e nos terminais de Cabiúnas (norte fluminense), Campos Elíseos (Duque de Caxias, RJ), Guararema, São Caetano, Barueri e Guararema (SP) e na Termorio (Duque de Caxias), segundo a FUP.
Na refinaria Landulpho Alves (Rlam, Bahia), a paralisação começou à 0h desta quinta-feira.
No Terminal de Cabiúnas, em Macaé (RJ), houve corte de rendição às 23h. A operação foi assumida pela equipe de contingência da empresa. O Sindipetro-NF, um dos filiados da FNP, recebeu informação de que a entrega da operação também foi antecipada na plataforma P-8, na bacia de Campos.
Na Transpetro, a greve atinge os terminais de Solimões (AM), Suape (PE), Madre de Deus (BA), Campos Elíseos (RJ), Cabiúnas (RJ), Guararema, São Caetano e Barueri (SP), Brasília, São Francisco do Sul, Itajaí, Guaramirim e Biguaçu (SC), Paranaguá (PR) e Osório, Canoas e Rio Grande (RS).
BRASÍLIA
Em Brasília, manifestantes da FUP bloqueiam desde 7 horas da manhã a entrada de servidores no Ministério de Minas e Energia.
De acordo com nota divulgada pela assessoria de imprensa do ministério, houve princípio de tumulto e os manifestantes "enfrentaram, com violência, a segurança do prédio, agredindo o vigilante Geraldo Deocleciano de Azevedo, 60 anos, que teve de receber atendimento médico-hospitalar".
A assessoria informou que não tem mais detalhes sobre o estado de saúde do vigilante.
fonte:http://www1.folha.uol.com.br

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