domingo, 6 de outubro de 2013

Cai sigilo de investigação sobre cartel que Siemens revelou

Cai sigilo de investigação sobre cartel que Siemens revelou

FLÁVIO FERREIRA
MARIO CESAR CARVALHO
JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
DE SÃO PAULO

foto>arquivo

A Justiça Federal derrubou a obrigação de sigilo alegada pela direção da Siemens para não revelar à Polícia Federal informações sobre o cartel organizado para participar de licitações de trens em São Paulo e no Distrito Federal.
A suspensão do sigilo foi solicitada ao Judiciário pela Polícia Federal. O dever de manter segredo faz parte de um acordo feito com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão de combate a práticas prejudiciais à livre concorrência.
O depoimento à PF do presidente da Siemens, Paulo Stark, motivou o pedido. Na polícia, Stark negou-se a prestar esclarecimentos sobre episódios do suposto cartel, que teria atuado entre os anos de 1998 e 2009, dos quais a própria Siemens diz ter participado.
O argumento de Stark foi o de que a empresa alemã havia assinado um acordo com autoridades federais pelo qual se comprometeu a manter sigilo sobre tais fraudes.
A PF investiga se, além da formação de cartéis, houve pagamento de propinas a servidores e políticos por dirigentes da Siemens e outras companhias.
Em maio, ao assinar um acordo de delação com o Cade, a Siemens afirmou ter combinado previamente, junto com outras 18 companhias, o resultado de concorrências do Metrô e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) no Estado.
A recusa do presidente da Siemens em falar sobre condutas ligadas aos cartéis levou o delegado da PF Milton Fornazari a requerer que a Justiça Federal declarasse que o acordo assinado com o Cade não pode ter efeitos sobre as investigações criminais de fatos correlatos, como o suposto pagamento de propinas.
O pedido do delegado foi acolhido por meio de despacho da 6ª Vara Criminal Federal no começo da semana.
A Siemens informou que o acordo com o Cade impôs à empresa o dever de sigilo, mas "tendo em vista que a decisão judicial quebrou tal dever de confidencialidade, a Siemens também colaborará plenamente com a autoridade policial".
PROVAS
No mês passado, a pedido de Fornazari, a Justiça Federal autorizou a PF a usar as provas do caso da multinacional francesa Alstom no inquérito que apura o suposto pagamento de propinas pela Siemens e as outras empresas que teriam formado um cartel nas licitações de trens.
Para justificar seu pedido, Fornazari relatou que no inquérito da Alstom há quebra de sigilo bancário e fiscal de investigados e empresas "que podem ter participado de vantagens indevidas nas licitações do Metrô de São Paulo entre 1998 e 2009".
O objetivo do inquérito sobre a Alstom é apurar negócios da multinacional francesa com empresas do setor elétrico e de transporte controladas pelo governo estadual.

A PF entregou relatório desse caso em agosto de 2012. Um ano depois, o procurador Rodrigo De Grandis decidiu que o inquérito necessitava de novas diligências e pediu que a Justiça determinasse que Receita e Banco Central enviassem dados sobre contas dos indiciados no exterior.
fonte:www1.folha.uol.com.br

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